terça-feira, 20 de abril de 2010

Quero trazer à memória o que me pode dar esperança” Lm 3:21

Há uma música secular cuja letra inicia-se da seguinte forma: “ Esse ano não vai ser como aquele que passou...” , na verdade, melhor dizendo, podemos afirmar que esse ano não vai ser como os outros que passaram.

Você pode estar se perguntando por qual motivo esse ano será diferente dos outros? É que para nós que somos parte do corpo de Cristo reunidos nesse tabernáculo espiritual, conhecidos como Igreja Metodista Central, o refrão inicial dessa música popular representa bem o nosso sentimento para com o ano de 2010.

Neste único e diferente ano estaremos comemorando um século de existência. Isso mesmo, cem anos plantando a semente do evangelho no solo desta terra marcada pela suas belezas naturais. Durante esses anos, centenas de semeadores do reino saíram a semear as boas novas do reino de Deus, atingindo toda a região dos lagos, afirmando com isso, que pela graça de Deus a Costa do Sol, como é conhecida essa região foi e é iluminada pelo sol da justiça, Cristo Jesus.

O melhor dessa bela e profunda história de amor e dedicação ao reino de Deus, é que ela não foi construída por celebridades religiosas (muito comum em nossos dias) ou por personagens ilustres, mas sim, por pessoas simples. Com cheiro de povo, mas com uma grandeza de integridade sem limites. Pescadores, salineiros e mulheres do lar que conseguiram compreender muito bem o chamado do Evangelho: “ Eis que os farei pescadores de homens e sal dessa terra”.

A verdade é que essas pessoas que não encontravam limites e nem se rendiam às adversidades, conseguiram salgar o chão desta região transformando milhares de lares em verdadeiras salinas do Espírito Santo.

Com certeza são inúmeros os relatos de alegrias, vitórias, derrotas, livramentos, conversões e transformações que fazem parte do livro de memória desta comunidade de fé. Cada família neste lugar tem um relato de fé e de experiência com Deus, chamado carinhosamente de metodista central

Acredito que o marco do nosso centenário esteja alicerçado em dois valores fundamentais: Memória e Esperança. Memória porque creio que é impossível projetar o futuro e refletir o presente sem que valorizemos a memória dos atos de fé construídos e vivenciados ao longo do tempo.

Quando o profeta Jeremias expressou a sua angústia diante dos fatos dolorosos que estavam por acontecer ao povo de Israel, ele logo se apegou a memória do seu povo e aí percebeu que na memória de um povo é que encontramos a chave hermenêutica para superarmos nossas dores e marcarmos o nosso futuro com a força da esperança.

O profeta estimula-nos a buscar no chão do passado, as motivações para o nosso presente e futuro. Ele, melhor do que ninguém sabe, que a memória cumpre o propósito divino de gerar em nós e nas futuras gerações a certeza que enquanto nesta terra vivermos, Deus sustentará as nossas vidas com sua destra forte, pois assim como ele fez com os nossos antepassados e pais espirituais, ele também fará conosco, pois a sua promessa é que ele jamais deixaria-nos órfãos.

Quando o autor de eclesiastes fala-nos de ciclos que formam o caminho da existência, ele salienta que os ciclos são inevitáveis, porém cumprem o papel de amadurecer o ser humano, bem como aqueles e aquelas que nos rodeiam. Nossa comunidade durante esses cem anos vivenciou vários ciclos, experimentou várias realidades. Presenciou mudanças profundas, mas também viu rupturas e divisões em seu meio. Contemplou a chegada de centenas e milhares de pessoas, porém também viu a perda de outras centenas de pessoas. Muitos foram os momentos de alegria, porém muitas foram as dores que machucaram. Porém em todos esses diversos ciclos, Deus preservou o seu Espírito sobre esse lugar. Quando muitos pensavam que o fim estava próximo, eis que o sopro do Espírito entrava sobre as janelas e línguas como de fogo repousavam sobre a cabeça dos que choravam nesse chão centenário. Foi assim e continuará sendo, pois os homens passam, mas a palavra de Deus permanece.

O outro fundamento será a esperança, porém estarei falando sobre ela no encarte mensal do próximo mês. A todos e todas que construíram a história do povo metodista neste lugar, o nosso sincero agradecimento. À memória daqueles(as) que não estão mais entre nós, mas as suas palavras e atitudes continuam a influenciar a nossa vida.

Do seu pastor, Marcello Fraga.

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